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Vinícius Godoy de Mendonça
Gêneros de Jogos – Role Playing Games (RPG)Imprimir
Escrito por Vinícius Godoy de Mendonça

A principal característica dos jogos de RPG é a existência e a evolução de um personagem. Nesse estilo do jogo, o jogador é convidado a atuar como parte de uma história, sendo mocinho ou bandido, interagindo com a trama e vendo a conseqüência de suas ações.

Quarta edição do Livro do Jogador do Dungeons&DragonsO RPG, além dos jogos de estratégia, iniciaram como adaptações de jogos previamente jogados entre grupos de amigos, usando papel, caneta e, eventualmente, um tabuleiro. Nos RPGs tradicionais, cada jogador monta uma planilha, descrevendo seu personagem, de acordo com o sistema de regras escolhido pelo grupo. Um outro jogador, chamado mestre de jogo, é o responsável por narrar a história onde os personagens estão inseridos, e interagir com os demais jogadores montando uma aventura fantástica. Os jogadores então representam os personagens de suas planilhas: sejam como guerreiros fortes e ignorantes, ou sábios magos capazes de realizar feitos incríveis com alguns movimentos dos dedos. O primeiro passo para quem quer programar um RPG é certamente jogar o RPG tradicional ou, pelo menos, acompanhar alguma sessão de jogo.

Um dos primeiros jogos de grande sucesso para PC, foi a série Eye of the Beholder. Ela possuía uma interface simples, em primeira pessoa e usava como sistema de regras o Dungeons&Dragons (D&D), o mais popular sistema de RPG dos Estados Unidos. Eye of the Beholder já possuía os principais elementos do gênero atualmente: a possibilidade de evoluir os personagens e uma história bastante convincente. O jogador iniciava com um grupo de quatro personagens e podia adquirir mais dois, no decorrer da história. Além de Eye of The Beholder, o sistema D&D também inspirou filmes e o desenho Caverna do Dragão, muito populares na época.

RPG nos vídeo-games com Final Fantasy IX. Já no mundo dos vídeo-games, a série japonesa Final Fantasy mostrou-se desde o início como uma das principais representantes do gênero. Comparado aos jogos de computador, o jogo possui uma seqüência muito mais linear de ações e uma interface muitíssimo simplificada – para que os jogadores pudessem jogar com joystick. O jogo ficou tão famoso que teve nada menos do que doze seqüências, e não parece que vai parar por aí.

Duas das grandes diferenças dos jogos de RPG tradicionais, para os demais jogos de tabuleiro é a total liberdade de ações que os jogadores possuem e a ausência de um ganhador. No RPG, cada jogador representa um membro de um grupo, que deve agir para cumprir a missão que o mestre lhes passa. As ações dos jogadores têm impacto direto sobre a narrativa do mestre, e não há qualquer tipo de limitação ou linearidade na história.

A cidade de Britânia no jogo última 7. Os jogos eletrônicos tem tentado se aproximar dessa realidade. A série Última, com 9 títulos, foi um dos primeiros RPGs eletrônicos com uma amplitude de ações extremamente grande e pouquíssima linearidade. Além da missão principal, que guia o jogador através da história, cada cenário possui uma série de missões menores. O jogador pode até decidir sair totalmente da narrativa, e desbravar o gigantesco mundo fornecido pelo jogo por conta própria. Uma série de cenários com inimigos, tesouros e itens escondidos foram colocados, sem que eles tenham qualquer conexão com o história principal.

A interpretação e o controle do grupo foi um dos principais apelos do jogo Baldur’s Gate, outro clássico do gênero que também usa como sistema o Dungeons&Dragons. Em Baldur’s Gate, cada membro do grupo tinha uma opinião, discutiam entre si e até mesmo discordava de certas atitudes do jogador. Muitos tinham motivações próprias e podiam até abandonar o grupo caso elas não fossem satisfeitas. No jogo também era possível gerenciar os itens e a evolução de cada personagem.

Um por do sol em Neverwinter Nights 2 Neverwinter Nights, foi a primeira adaptação de Dungeons and Dragons a usar tecnologia 3D. Também muniu os jogadores com um editor completo de fases, além da capacidade de jogadores mestre de jogo atuarem numa aventura em rede. Isso prolongou a vida do título, que pode ser encontrado até hoje nas lojas. Uma curiosidade: Existe até mesmo uma ótima adaptação de Eye of The Beholder feita usando os editores do Neverwinter Nights.

A seqüência do jogo, Neverwinter Nights 2, foi criticada por ter uma história mais tênue e baseada no clichê “um garoto do campo com um passado obscuro que descobre que tem que salvar o mundo”, por ter gráficos muito pesados e por desapontar os jogadores que esperam poder nadar ou andar a cavalo. O jogo inovou ao dar a possibilidade do jogador controlar um castelo, embora tenha havido reclamação por parte dos jogadores por não compreender exatamente as consequências das ações na gerência de sua fortaleza. No geral, Neverwinter Nights 2 ainda é um ótimo título a ser jogado, reunindo com maestria a atuação dos personagens (como em Baldur’s Gate) e os belos gráficos de seu antecessor.

Belíssimas imagens em Oblivion A excelente série The Elder Scrolls, da Bethesda Softworks, parte para outro estilo. Ela mistura gráficos sensacionais, com um RPG baseado em ação. Possui uma narrativa pouquíssimo linear, um mundo gigantesco e rico, com diversas missões, sejam ligadas a missão principal ou não, com pouquíssimas restrições tempo. Um ponto forte do jogo é que parte dessas missões são especificamente projetadas para caso o jogador queira atuar com um personagem mau e, dependendo das atitudes do jogador, sua interação com o mundo pode ser radicalmente diferente. A série foi premiada diversas vezes e é considerada uma das melhores adaptações de RPG para computadores já realizada na história. Os últimos jogos da série Morrowind e Oblivion, também possuem editores de fases e mapas. Oblivion vai ainda mais longe e permite a alteração até mesmo de aspectos da programação do jogo, como modelos de personagem ou mesmo dos programas que calculam os reflexos e a transparência da água.

Elementos de design

Todos os RPGs tem uma coisa em comum: O jogador possui um personagem e pode gerencia-lo em cada pequeno aspecto no decorrer do jogo. Seu inventário pode ser modificado, seus atributos podem ser escolhidos e melhorados e novas perícias podem ser adquiridas. As ações desse personagem também definem sua personalidade e os jogadores esperam que o mundo em que o personagem está inserido reaja de acordo. Ou seja, se ele for mau, deve ser temido, se for um herói, deve ser reconhecido como tal.

A gerência do grupo é um dos fortes de Baldur's Gate 2 Além de seu personagem, o grupo também é um elemento importante. Jogadores de RPG esperam uma interação realista entre os membros do grupo. É uma boa prática também permitir que os membros do grupo troquem itens entre si. Os membros do grupo devem realmente ajudar o jogador e não para depender sempre da ajuda dele.

Um aspecto muitíssimo importante do jogo é a amplitude de escolhas. Como RPG trata basicamente de interpretação, é necessário que os jogadores tenham diversas maneiras de escapar das situações e todas elas devem beneficiar o jogador integralmente. Um erro comum nesse gênero de jogo, é a super-valorização do combate. Muitos jogadores, que atuarão como padres ou magos, por exemplo, vão querer formas não violentas de resolver suas situações e o jogo deve fornece-las.

A amplitude de escolhas também se reflete na não-linearidade da história. Mesmo em RPG lineares, como Neverwinter Nights 2, é dada ao jogador a possibilidade de agir de forma não linear entre os cenários do jogo. Por isso, deve-se também tomar cuidado em jogos muito não-lineares, para que o jogador não se sinta perdido no decorrer do jogo. Uma estratégia comum para se evitar isso é a presença de um diário, onde o jogo anota todas as situações pelas quais o jogador já passou e as missões que aceitou ou negou.

Finalmente, dê amplitude e escolhas no inventário. Dê ao jogador diferentes itens para que ele tenha que gerenciar. A possibilidade de vender e comprar novos itens, gerenciar o espaço e o peso da mochila ou distribuir prêmios para os diferentes membros do grupo agradam os jogadores do gênero.

Um dos pontos fortes ds jogos de RPG deve ser a história. Seja da missão principal ou das missões secundárias, uma boa narrativa é fundamental. Os diálogos devem ser bem elaborados, e a atuação do jogador com os outros personagens do jogo (também chamados Non-Player Characters, ou simplesmente NPCs) devem ser cativantes e convincentes. Permita ao jogador vivenciar histórias muito diferentes caso ele decida jogar o jogo com um personagem mau ou com um personagem bom, por exemplo.

Jogos de RPG geralmente possuem um mundo gigantesco, que também pode ser explorado. Não force o jogador a se manter em determinados do mundo por tempo demais, como aconteceria em um jogo de aventura. Ao invés disso, forneça ao mundo do jogo locais interessantes, que nada tem a ver com a história do jogo, mas que valem a pena ser explorados. Procure aumentar a imersão do jogador ao fornecer um mundo vivo, com pessoas andando pelas cidades, criaturas de florestas que podem brigar entre si, ou mesmo cenários com uma história própria.

Eye of the Beholder usava regras de um sistema muito famoso, o Dungeons&Dragons Para suportar tudo isso, é necessário também um bom sistema de regras. O jogador deve ter a capacidade de saber, ou pelo menos ter uma boa noção, do impacto de suas escolhas. Como a magia funciona? É melhor usar uma espada ou uma bola de fogo? É melhor ter um kit de cura e um corpo biológico ou um corpo biônico? O quanto posso cair antes de me machucar? Um bom sistema deve responder a essa e a outras perguntas facilmente, sem sobrecarregar o jogador.

Uma boa alternativa também pode ser basear-se num sistema de regras tradicional, como o D20, Vampiro ou GURPS. Muitos desses sistemas já são gratuitos, desde que respeitadas a divulgação do criador e desde que nenhuma regra seja alterada.

Técnicas de programação comuns

Máquinas de estados são usadas em diversas situações do jogo. Seja para controlar as atitudes do mundo em geral com um jogador bom ou mal, para controlar as atitudes de um inimigo, ou para controlar os NPCs do jogo.

O uso de scripts ainda é bastante comum e necessário. Scripts dão um comportamento pré-definido e permitem ao designer compor a história do jogo. Mas, ao mesmo tempo, limitam a atuação do jogador, que se vê obrigado a seguir passos bem determinados. Por isso, bolar comportamentos coerentes e inteligentes, menos dependentes de script é um desafio para os fabricantes de jogos dessa área.

Diálogo interativo no RPG futurista Mass Effect Sistemas de mensagens também são muito importantes. As ações dos jogadores devem repercutir pelo mundo do jogo. Deve-se tomar o cuidado para que essas ações se espalhem de maneira coerente. Por exemplo, se um jogador matar um dragão num lado do mundo, usar sua magia de teletransporte e chegar a uma cidade distante, os cidadãos não podem reconhece-lo imediatamente como herói, como aconteceria se ele viesse andando. Não seria mais interessante que, algum tempo depois, saindo de uma loja, o jogador visse alguém nas ruas gritando a boa notícia?

Um bom sistema de carga dinâmica de dados também é importantíssimo para o gênero. Como os cenários se tornam cada vez maiores, há a necessidade de carregá-los sem longas esperas do jogador. Por isso, algoritmos que permitam carregar o cenário em segundo-plano tem se tornado cada vez mais populares em jogos do gênero. Neverwinter Nights 2, um jogo moderno, foi duramente criticado por conter longas esperas.

Os jogos de RPG também se beneficiam muito de redes de computadores. Não é à toa que a maior parte dos jogos multi-player em massa de hoje são desse gênero. Mas redes também podem ser usadas aproximar o jogo dos RPGs tradicionais, onde um mestre de jogo está presente e as ações do resto do grupo são limitadas por uma inteligência artificial e sim, definidas por um jogador real.

Últimas recomendações

Como já dito, o primeiro passo para desenvolver um jogo de RPG é conhecer melhor os sistemas tradicionais, não eletrônicos. A wikipedia brasileira possui este excelente artigo sobre o assunto.

O sistema D20, atual sistema usado pelo Dungeons&Dragons é gratuito e está integralmente disponível para no site da Wizards of The Coast. É muito interessante conhece-lo, já que é um sistema de regras bastante maduro e revisado.

É recomendado também o download dos jogos Eye of The Beholder I, II e III, Ultima 6, Ultima 7 partes I e II. No lugar do DosBox a engine Exult permite uma melhor jogabilidade dos jogos Ultima 7.

Para quem puder, um investimento que vale a pena é a compra dos jogos Neverwinter Nights I e o seu sucessor, além dos jogos, Morrowind e Oblivion, especialmente pela presença dos editores de fases, Aurora Toolset e TES. Tanto o Neverwinter Nights 1, quanto o Morrowind, são atualmente distribuídos pela revista Full Games pelo valor de apenas R$15,00.


Comentários (3)
  • Bruno BPS  - Putz tio, eu amo jogos u.u
    avatar

    Nossa muiito foda o artigo, eu futuramente quero me tornar Designe de Sites para Jogos :cheer:

  • Guimaraes Marcos
    avatar

    Cara muito bom esse artigo sou um grande fã de RPG estou querendo me tornar um programador talvez na área de games.

  • So vim da uma hackeada vlw flw  - Very legal
    avatar

    Muito bom o artigo cita as principais caracteristicas definitivas do role play alias cada dia que passa esse site esta se tornando melhor parabéns moderadores que cada dia estão mais prestativos :side: :side:

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