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Camila Schäfer
A importância da música nos gamesImprimir
Escrito por Camila Schäfer

Segundo Janet Murray, no livro Hamlet no Holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço, nas décadas de 70 e 80 as pessoas viam os videogames como algo diabólico, porque eles adicionaram interatividade ao encantamento sensorial da visão, do som e do movimento. Muitos condenaram a estimulação fácil dos jogos, achavam que eram viciantes e que poderiam representar o abandono dos livros. Porém, essa visão “apocalíptica” acabou não se confirmando e atualmente os videogames estão ganhando cada vez mais relevância no universo audiovisual. Cursos, palestras, eventos, seminários e pesquisas já começam a analisar essa mídia como algo além de um “brinquedo para crianças”. Não podemos ignorar ou deixar de considerar todo o aprimoramento visual, sonoro e conceitual pelo qual os games vêm passando, conforme afirma Lucas Felipe Haeser, em sua monografia Hipergames: O Videogame entre a Hipermídia e o Entretenimento. Também não podemos desconsiderar o trabalho dos compositores e negar o efeito que as músicas têm nas nossas consciências.

clip_image001[5]A trilha sonora é de extrema importância em um jogo e possui várias funções, de acordo com Karen Collins. Em games como Super Mario Bros., por exemplo, é quase impossível jogar sem som, pois diversos sinais são dados ao longo do game através do áudio. Já os jogos de consoles portáteis, como o GameBoy, o Nintendo DS ou o PlayStation Portable não podem ter esse tipo de trilha, uma vez que se pressupõe que eles podem ser jogados sem som, em locais públicos, por exemplo. Para muitos jogadores até é possível jogar um jogo sem som, mas a experiência seria desestimulante.

Zachary Nathan Whalen, em sua tese Play Along: video game music as metaphor and metonymy traz dois termos da linguística para descrever duas funções-chave da game music: metáfora e metonímia. A função metafórica é a que proporciona uma sensação de espaço, caracterização e atmosfera em um jogo. É a música de fundo ou que representa certo ambiente (dia ensolarado, caverna escura, etc). Já a função metonímica é a que mantém a estrutura sintática do jogo, obrigando o jogador a progredir na narrativa do jogo. Como exemplo, temos as músicas que sinalizam para o jogador quando o inimigo se aproxima. Analisando estas funções, podemos perceber que a trilha sonora dos videogames não serve mais apenas como “plano de fundo” de um game. Cada canção, cada efeito sonoro, está em seu lugar, cumprindo sua função de ambientar o jogo e tornar a experiência mais realista.

A trilha sonora de um jogo não influencia diretamente em sua popularidade, mas é preciso que haja um equilíbrio com a jogabilidade para que ele possa ser considerado bom, logo, para que se torne popular.

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A música para videogames tem ganhado tanta importância que prêmios foram criados a fim de homenagear os músicos pela qualidade de suas composições nos jogos. O compositor da trilha de Diablo, Matt Uelmen, por exemplo, foi vencedor do prêmio de excelência em áudio, concedido pela IGDA (International Game Developers Association) pelo seu trabalho no game citado. Também existe o G.A.N.G. Awards, criado pela G.A.N.G. (Game Audio Networking Guild), organização destinada a unir e ajudar os compositores de game music através de capacitação, recursos para a educação, negócios, questões técnicas, publicidade e reconhecimento. Todo ano (em março) ela premia diversas categorias relacionadas à música e efeitos sonoros do mundo dos games como música do ano, sound design do ano, áudio do ano, melhor trilha interativa, melhor diálogo, melhor áudio cinematográfico, melhor gravação de performance ao vivo e outras.

Ainda existem o Interactive Achievement Awards (categorias Outstanding Achievement in Original Music Composition, Outstanding Achievement in Soundtrack, e Outstanding Achievement in Sound Design); MTV Video Music Awards (categorias Best Video Game Soundtrack e Best Video Game Score), que só durou de 2004 a 2006; British Academy Video Games Awards (categorias variam com o ano) e Game Developers Choice Awards (categoria Best Audio).

E aí, convencidos de que a música desempenha um papel muito importante nos jogos? Deixem suas opiniões!


Comentários (7)
  • Vitor Almeida da Silva  - Artigo interessante
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    Muito interessante Camila.

    Realmente uma música ruim tira o prazer de jogar um bom jogo.

    Em especial, gosto muito das músicas dos jogos da Blizzard (StarCraft e Diablo), Neverwinter Nights e principalmente das músicas do Doom (o original).

    Um jogo até pode ser bom somente com sons de efeito, mas quando tem boa música a experiência é totalmente diferente (e memorável) :)

  • Vinícius Godoy de Mendonça
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    Para mim, a música de alguns jogos realmente me supreendeu. Dos mais antigos, eu destacaria três:

    a) Dune I:, que mudava sua música durante a batalha para um ritmo realmente empolgante.
    b) Lemmings: Que para, diminuir o orçamento do jogo, fez uma composição genial do jogo com música clássica (livre de direitos autorais);
    c) Star Control II: Cuja trilha sonora Sci-Fy motivou até mesmo um remake feito por fãs, o projeto the precursors.

  • Vitor Almeida da Silva
    avatar

    Essa do Lemmings eu não sabia, interessante.

  • Gustavo B. Gomes
    avatar

    Bastante interessante este artigo, parabens.

    Muitas vezes por queremos saber como é o grafico de tal game ou a jogabilidade, não damos a devida atenção para a trilha sonora do jogo. Sou bastante leigo quando se refere a som , mas sei que é uma peça fundamental em qualquer jogo.

    quando joguei Prince of Persia: Warrior Within por exemplo umas das coisas que mas me chamou a atenção foi a sua trilha sonora pesada, que fez com que gosta-se ainda mais do jogo... em contra partida quando saiu o Prince of Persia: The Two Thrones foi totalmente diferente, tudo bem, sei que a Ubisoft mudou tudo.. tirou o clima dark do jogo para colocar um clima mas classico, mas com isso também mudou totalmente a trilha sonora... apartir daí e também de outros fatos venho prestado bastante atenção na influência que o som tem em um jogo...

  • Vinícius Godoy de Mendonça
    avatar

    Em termos de ambientação, o Prince que mais gostei foi o Sands of Time. Recriaram um ambiente com uma sensação persa, músicas com citaras, coisa linda de se ver.

    O que foi aquele rock nos games seguintes? E a sexualidade exacerbada?

    Eu, particularmente, detestei. E não fui o único, já que como você falou, tentaram resgatar parte do clima original novamente no Two Thrones.

  • Bruno Crivelari Sanches
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    Eu adoro trilha sonora de games e filmes, tenho uma pequena coleção aqui.

    A trilha do sands of time é excelente, já dos outros dois...

    Do warrior within é a pior de todas, não tem nada haver com o ambiente do jogo.

    Gosto muito das musicas do doom original também, dune 2, diablos (I e II) e por ai vai :).

  • Camila Schafer
    avatar

    Eu concordo com a trilha do Diablo II. Acho ótima. Algumas que vocês citaram eu não conheço... sou um tanto leiga em relação a jogos com menos de 15 anos... hauhauhauhauah

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